Entra cliente, mas gasta pouco
A venda média baixa por consumidor revela que é preciso repensar no mix de produtos e serviços da loja de fotografia brasileira
Quantas pessoas entram por dia numa loja de fotografias brasileira? E quanto elas gastam? Se você ainda não fez essa conta, ou está nadando em dinheiro ou não tem a menor noção do desempenho do seu negócio. Reclamando que seu movimento anda ruim? Por quê? Não entra cliente ou será que está gastando muito pouco? Em pesquisa realizada pela FHOX com 200 lojistas das cinco regiões do país, durante a primeira quinzena de julho, considerada de movimento médio nas curvas de sazonalidade, uma conclusão interessante: está entrando gente sim, mais até que em outros tipos de varejo. O problema é que gastam muito pouco ou nada. A venda média (que os marqueteiros gostam de chamar de ticket médio) é muito baixa e vem caindo ano a ano. Das 80 pessoas que circulam por dia na loja de fotografia brasileira, cada uma deixa no caixa 17 reais. A partir desses números é possível fazer os seguinte cálculo: o faturamento médio na loja brasileira está em 32 mil reais/mês, baixando dos quase 40 mil de três anos atrás. Outro dado: em números de visita, quase uma vez e meia da população do Brasil circula pelas lojas de fotografia ao longo de um ano. Mas se considerar que um serviço de revelação de fotos pode gerar até três visitas do consumidor à loja, chega-se bem próximo às pesquisas do Performa que indicaram um consumo de 85 milhões de rolos de filmes durante o ano passado. O preocupante, contudo, é a queda das vendas médias por consumidor, sobretudo se considerar que todos os custos - atrelados em dólar e mais a inflação que existiu sim - cresceram. Resumo da ópera: uma foice afiada anda cortando as margens e trouxe dias apertados e até de penúria para os lojistas do ramo.
Ter o que vender - Não é preciso ser nenhum gênio para identificar que se entram clientes na loja, mas a venda média é baixa, o problema está no mix de serviços e produtos que oferece. Ou são muito baratos, ou está faltando o que vender. Nos regimes que prevê - em exclusividade a um determinada marca -, o fato se agrava: passa a ser responsabilidade dessa marca prover um mix para que o ponto-de-venda possa sobreviver, tal qual é previsto nos programas sérios de franquias. Vale lembrar que o consumidor não entra na loja para comprar a fachada bonita que tem. A fachada serve só para traí-lo a comprar o que tem dentro. E por este prisma o mercado fotográfico, desde 98, vive um dilema: consumo de filmes não cresce, mas crescem os pontos-de-venda a oferecer serviços que dependem desses filmes fotografados. O intrigante é ver que o único setor a apresentar crescimento das vendas de produtos fotográficos foi o de supermercados. Uma contradição que remete a refletir sobre os dados desta pesquisa: será que as lojas de fotografia brasileiras não devem rapidamente ampliar seu portfólio de serviços e produtos para levantar a sua venda média por consumidor? A verdade é que o "faturamento padrão" do ponto-de-venda com o minilab no Brasil de hoje deveria superar fácil os 50 mil reais. E o valor é factível e dá pra diversificar dentro do próprio ramo, desde que se fuja de modismos e não se acredite em receitas de negócios duvidosas.
E o que isso representa...
◊ Em média, cerca de 200 milhões de visitas acontecem em todas as lojas de fotografia brasileiras em um ano
◊ Comprar filme, deixar para revelar e apanhar as fotos geram três visitas. Isso dá 66 milhões de pessoas entrando nas lojas em um ano
◊ O potencial imenso e venda média baixa despertam a cobiça de outros setores para o ramo, uns poucos a ter varejo estabelecido.
Créditos: Revista Fhox