Equipe: sem ela não há gosto da vitória
As empresas investem na formação e no sentido de equipe. Quanto maior a companhia, mais difícil. Mas surge a técnica de transformar departamentos em microempresas e parece dar bons resultados.
Vamos torcer para que agosto deste ano seja um mês calmo. E também para que os problemas de energia, câmbio, racionamento de água e outras crises de ordem política e econômica não venham a se agravar. Ao que tudo indica, não deverá haver incremento no mercado fotográfico neste período. Tradicionalmente, este é um mês forte para casamentos, mas não podemos contar só com isso. Vamos torcer - e trabalhar - para que, a partir de setembro, o nosso mercado comece a tomar impulso maior.
Falando em negócios, vale sempre lembrar que as empresas precisam se preparar para oferecer qualidade em produtos e serviços. Nesse sentido, gostaria de falar do público que geralmente é esquecido quando se pensa em incrementar negócios: o público interno. Quem é esse público interno? Os profissionais que trabalham na empresa. Seja em uma pequena loja ou em uma grande organização, geralmente o alvo principal é sempre o público externo: o cliente consumidor. Tudo bem, ele é o rei que nos compra e paga nossos salários. Mas a equipe interna também deve ser vista como um cliente, pois vai trabalhar para ele, para que fique satisfeito, volte e compre mais.
Microempresas Internas - Em termos de administração de pessoal, o que vem sendo feito de mais moderno é a implementação de um sistema no qual cada departamento é considerado uma microempresa. Cada uma com suas metas e objetivos e custo operacional calculado para vender pelo melhor preço um serviço ou produto para o departamento seguinte. Este, por sua vez, poderá então cumprir igualmente sua meta traçada e assim sucessivamente. Em outras palavras, não há mais aquele relacionamento de colegas de trabalho no qual o resultado só é visto no final da produção. Trata-se de um fluxograma, um vendendo para o outro e perseguindo o seu lucro. Uma área finaliza sua parte até uma certa etapa, para que o outro departamento faça, então, a continuidade do processo. Se um setor atrasa ou vende um serviço mal-feito, o seguinte terá de arcar com as conseqüências.
Espírito de equipe - Se nesse processo "cliente/fornecedor" houve um perfeito entendimento dos objetivos, nascerá aí um espírito de cooperação e uma filosofia: prestar o melhor serviço para o seu colega do lado e, com isso, criar um verdadeiro sentido de equipe. Até mesmo num esporte coletivo, costumo dizer que a diferença está justamente no espírito de companheirismo. Tomo como exemplo a nossa seleção de futebol. Será que os nossos atletas esqueceram como se joga futebol? Não temos mais talentos? Claro que não. O que falta no grupo é espírito de equipe. Os atletas, pertencem a vários times, são escolhidos muito em cima da hora, principalmente os que vêm de clubes do exterior. Não se pode esquecer que, nesses times, a cultura e técnica são diferentes. E, para complicar, esses jogadores ganham muito dinheiro lá. Não estão preocupados com o Brasil. Em outras palavras, são individualistas e os interesses particulares estão acima do coletivo, da seleção e diria até da pátria. Agora, transfira um ambiente desses para os funcionários de fábricas e escritórios. Se cada um deles pensar só em si mesmo e não em equipe, jamais se alcançam bons resultados. Assim, para atingir a meta de faturamento, é preciso, sim, pensar no público externo: fornecedores, clientes, lojistas, distribuidores. Mas nenhuma empresa pode deixar de lado o público interno: funcionários, colaboradores e prestadores de serviços. Serão a qualidade e combinação desses dois públicos que determinarão a eficiência da empresa.
Créditos: Revista Fhox
Sadawo Oba é Presidente da ABIMFI, associação Brasileira da Indústria de Materiais Fotográficos e Imagens