Seis Sigma: análise e interpretação de dados


Para que servem os dados? Para fazer diagnóstico de um processo ou situação e corrigir rumos. Representado por gráficos e tabelas, vira uma fotografia a nos dizer onde estamos e onde queremos chegar

Interpretar dados com a simples comparação entre dois números pode ser algo limitado. Ter só dois números significa ter dados fracos, até porque ambos estão sujeitos à variação aleatória, sempre presente no mundo real. É o que diz o conceito Seis sigmas de qualidade. Segundo ele, os números devem ser analisados em quantidades e organização de forma a permitir comparações precisas. Desta maneira transformam-se em medidas úteis para ações de melhoria dos processos. E como apresentar números? As formas mais usadas são:

◊ Distribuição na seqüência do tempo
◊ Histograma

A primeira consiste em distribuir dados em tabelas organizadas por seqüência de horas, dias, meses. Veja no exemplo abaixo, usado para visulizar perdas de papel fotográfico:



Se os mesmos dados forem dispostos em gráfico, é mais fácil identificar tendências.



Apesar da quantidade de dados ser pequena, percebe-se que a partir de abril algo diferente aconteceu no minilab, pois as perdas apresentam tendência a crescer.

Entenda o Histograma - Mostra a acumulação de valores diferentes à medida que eles ocorrem, sem se preocupar com a seqüência do tempo. Por exemplo, suponhamos que um minilab que capta 100 rolos/dia e queira avaliar o número de fotos vendáveis por rorlos processados em um determinado dia. Assim, um rolo de 24 poses que gera 20 cópias vendáveis teria 83% de aproveitamento; um rolo de 36 poses produzindo 28 cópias, 78% de aproveitamento; e assim sucessivamente. Representados numa tabela, os números ficariam como se vê abaixo:



A representação gráfica torna muito mais fácil interpretar os dados. Nota-se, de imediato, que a grande maioria dos rolos de filmes tem aproveitamento de 70% das fotos. Claro que quanto maior o aproveitamento, melhor para o faturamento do minilab e uma análise desse tipo pode resultar num programa para ajudar os clientes a fotografar melhor.

Muitas vezes é preciso resumir um conjunto de dados, e para isto usam-se dois conceitos:
◊ Média
◊ Dispersão

A média é simplesmente a soma de todos os valores dividida pela quantidade dos mesmos. No exemplo da perda de papel (veja a tabela de janeiro a junho), a média do semestre é: 15,4 dividido por 6, ou seja 2,6%.

A dispersão ("range", em inglês) é simplesmente a diferença entre o maior e o menor valor de um conjunto de números. Assim, no mesmo exemplo da perda de papel, a dispersão é: (3,00 - 2,00) = 1,00%.

Coletar dados e representá-los de forma didática por meio de tabelas e gráficos faz um diagnóstico absolutamente preciso de qualquer processo. É uma maneira fácil de todos entendê-lo e corrigi-lo, desde que não contenha números distorcidos ou inexatos. Por isso vale a regra: nenhum dado tem significado se não for analisado dentro do seu contexto.

Créditos: Revista Fhox
Júlio César F. Santos é diretor da Consumer Image Service da Kodak Brasileira