Não consigo controlar o estoque!


Sabe como muitos lojistas do nosso ramo controlam o estoque? Olhando as prateleiras. É válido quando se é muito pequeno, mas cresceu um pouco vira caos. De vendas e de caixa

Você já entrou numa loja e justamente o produto que queria estava em falta? Sensação ruim, não? Para a loja, pior do que perder uma venda por falta de mercadorias é empurrar a gente direto para o concorrente e, talvez, nunca mais voltar. Na verdade, para nós que vivemos do varejo, isso é inaceitável. Como o produto mais vendido é justamente o que está em falta na loja? Má administração dos estoques, responde à pergunta.

As preocupações dos lojistas beiram a sandice nos dias de hoje: programas de milhagem, estúdio fotográfico na loja, internet, marketing direto, incentivo aos vendedores, qualidade no atendimento... mas tudo isso só faz sentido se o "básico" do controle de estoque estiver resolvido. Em resumo: significa ter a mercadoria que o cliente deseja e na hora que procura. O desafio: girar de forma tal sem que produza excessos ou encalhe na loja. Conheço lojistas que dizem controlar o estoque com uma olhada nas prateleiras e dois ou três telefonemas para repor o que estiver faltando. Isso até dá certo de vez em quando, mas como regra padrão é sinal de má gerência. Vão faltar mercadorias e sempre quando mais se precisa delas.

Gerência ou gestão? - Pra começo de conversa, controle de estoques é diferente de gestão de estoques. O primeiro diz respeito à parte física: novas compras somam-se às unidades existentes na loja; mercadorias vendidas ou transferidas subtraem-se do estoque. Isso é simples de ser feito. Já a gestão de estoques vai muito além e é onde está o "pulo do gato". Significa planejar as vendas por meio de metas baseadas em histórico de giro, sazonalidade ou percepção de tendências. É algo decisivo no plano das compras e, por tabela, no fluxo de caixa. E nisso a informática é indispensável: produz estatísticas dos produtos e serviços que mais vendem, quando vendem, e daí é possível traçar os objetivos. Todo o resto virá destes objetivos: freqüência de compras e pontos de reposição de estoques. Aqui um fator importante: a reposição deve ser sempre considerar o tempo de entrega da mercadoria pelo fornecedor. Uma loja da Região Sudeste, onde se concentra boa parte do abastecimento, sofre menos com entregas que lojas localizadas no Norte e Nordeste do Brasil.

Sem computador não dá - Problemas na gestão de estoques afetam bastante as lojas com minilabs, até por operarem com mercadorias e insumos. E sem computador a gestão fica impossível. Abaixo, regras essenciais para evitar transformar o estoque numa fonte de prejuízo:

Itens de baixa rotatividade pedem estoques mínimos, pois significam capital parado;

Itens com 30 ou mais dias sem vendas pedem uma promoção. Para desencalharem;

Priorize as mercadorias, conforme a "Lei de Pareto": 20% dos produtos trazem 80% do faturamento; e

Persiga o giro rápido de estoque. Quer saber a qualidade da sua gerência de estoque? Pergunte-se quantas vezes ele gira num ano.

Investir em estoque é comparar com os ganhos dos investimentos financeiros em bancos. Com uma boa gestão, garanto que o estoque supera o rendimento dessas aplicações.

Vejo muitos lojistas preocupados em requintar outros aspectos da loja e esquecendo o controle de estoque. Acredite, isso pode trazer de 10 a 30% em economias, às vezes o suficiente para abrir uma nova loja. No nosso ramo são comuns casos de sucessso em que o "faro" do lojista fez a diferença. Agora imagine combinar esse "faro" com tecnologia de gestão de estoques. Que "sucessão" isso faria.

Créditos: Revista Fhox
Wagner Valente é direto da Ampla Sistemas