Seis Sigma: o pensamento estatístico
Tudo na vida é cheio de fatos tangíveis. Tudo pode ser encarado como um processo, cujas variações, as estatísticas permitem medi-las e estudar formas de reduzi-las. Está no conceito dos “Seis Sigma”
Na coluna anterior abordei o termo “Sigma”, que mede a capacidade de um processo de trabalhar sem imperfeições. Seus fundamentos são baseados em estudos de estatística. Atingir um nível “Seis Sigma” equivale a um estágio de perfeição tão grande que uma falha só ocorre a cada 294.000 eventos (um evento pode ser uma cópia produzida, um cliente atendido). O conceito mais importante de um programa “Seis Sigma” é o do Pensamento Estatístico. Apesar do nome sofisticado, a idéia não tem nada de difícil e parte de três princípios presentes na vida cotidiana de todos nós. São eles:
1 – Toda e qualquer atividade (produção, administração, atendimento ao público) deve ser encarada como um processo.
2 – Todo processo é inerentemente variável: não produz sempre exatamente o mesmo resultado.
3 – Dados são essenciais para entender as variações e definir como reduzir a variabilidade.

O primeiro princípio afirma que qualquer atividade consiste em transformar alguma coisa que se recebe (matéria-prima, informação) em algo que se entrega como produto. Pode parecer complicado, mas um processo é composto de etapas simples, executadas por pessoas ou máquinas numa seqüência lógica.
O segundo princípio lembra que não existe perfeição absoluta e variações acontecem naturalmente em qualquer processo.
O terceiro princípio reza que qualquer análise de um processo precisa ser baseado em dados obtidos do próprio processo. São deles que se tiram conclusões que levam a medidas para reduzir a variabilidade.

A armadilha dos dados – Vamos supor que apareça na primeira página de um jornal: “Empresa X cresce seus lucros em 63%”. Parece uma façanha extraordinária, até analisarmos melhor od dados a respeito da empresa “X”. O gráfico abaixo mostra as vendas e os lucros desta empresa durante um período de 10 anos. Notem que as vendas cresceram apenas 4% em relação a 1999, ainda assim abaixo do resultado dos anos anteriores. O lucro realmente cresceu 63%, entretanto o de 1999 foi pequeno e menor do que o obtido durante os cinco anos anteriores. A conclusão é que a empresa “X” está no caminho certo, melhorando vendas e lucros, mas ainda precisa se esforçar muito para merecer manchete de primeira página. O exemplo ilustra a importância de analisar o histórico do problema antes de chegar a uma conclusão. A comparação simples e seca de dados entre períodos – ano atual e anterior – pode levar a equívocos. Por isso, cruze mais dados, faça mais perguntas e aí, sim, terá conclusões seguras.
Créditos: Revista Fhox
Julio Cesar F. Santos é Diretor de Consumer Image Service da Kodak Brasileira