As telas difusoras
Uma técnica da iluminação de cinema traz para a fotografia a habilidade de se criar fotos com luz romântica e estilo inconfundível
As telas difusoras de luz são originárias de Hollywood, criadas pela indústria do cinema. Em cenas internas de detrminados filmes, quando se desejava uma iluminação suave, empregavam-se grandes painéis de tecidos para atenuar a luz dos refletores, notoriamente concentrada e dura. Pela aproximação ou afastamento do assunto, permite também o controle do nível de suavidade de iluminação, alterando muito pouco a potência da luz sobre a cena. Ou seja, o diafragma obtida com a tela numa determinada posição quase não muda com sua movimentação. O exemplo que uso dá uma idéia disso. A foto número um é um registro em “making of” do esquema que montei. Observe como posicionei as fontes de luz. No lado esquerdo usei um flash e refletor como iluminação principal e entre ele e a modelo Carolina, coloquei uma tela difusora. Já no lado direito instalei um rebatedor para preencher as sombras. Para a luz de cabelo (sobre Carolina), optei por uma caixa de luz (soft box) de 30x40 cm. Dispensei a iluminação de fundo. O esquema é simples, mas requer um cuidado especial: o uso de um bloqueador para proteger a objetiva de reflexos das luzes, os quais poderiam causar machas na foto. Aliás, sempre recomendo o uso de pára-sol no estúdio e, neste caso, tornou-se mais necessário ainda. Na foto número 2 dá pra ver o resultado obtido. Na realidade, trata-se de um close da imagem do “making of”, sem mexer na iluminação. Usei uma potência que resultou em diafragma f:8.0 na luz principal (importante: a leitura deve ser feita no rosto da modelo, com flashmeter apontado para a tela difusora). Regulei o rebatedor para f:5.6 e a iluminação de cabelo ficou um pouco acima de f:8.0. O fundo mais claro é resultado da luz que passa por trás da tela difusora. Se quiser escurecê-lo, simplesmente desloque a tela em sua direção, de forma que cubra o flash principal. Isso explica por que nesse esquema a iluminação de fundo é dispensável.
Cai bem em fotos românticas – Na foto número três, o esquema de iluminação é exatamente o mesmo do descrito acima. A diferença está em que aproximei a tela difusora da modelo. Resultado: a suavidade da fotografia aumentou. A passagem das altas luzes para as sombras é muito suave, produzindo uma foto agradável para o estilo que pretendi. E tudo isso sem mudar potência, diafragma e acessórios. Somente com o movimento da tela difusora para mais ou para menos e adição de um flash de fundo coberto por um filtro azul (para combinar com os tecidos usados por Carolina). Realmente é um opção muito prática para trabalhar no estúdio. Recomendo-a para fotografias mais “softs”, como gestantes, mães amamentando, glamour e outras que evoquem o romantismo. Vale experimentar também com crianças em roupas de dormir, lendo histórias ou brincando de bonecas. A título de informação: nestas fotos usei uma câmera Nikon com objetiva 85 mm f:2.8, um pára-sol e filme Fuji Pro-Value 200.

Créditos: Revista Fhox
Paulo Reichert é Professor da Oficina de Photographia, em Novo Hamburgo, RS.