Retrato Masculino Parte IV
Ao mesmo tempo que retratos de homens vendem cada vez mais, exigem também a agilidade do fotógrafo de levar o estúdio até o endereço dele
Nessa edição quero abordar a fotografia de profissionais em seu ambiente de trabalho. Primeiro desafio: deslocar o estúdio até o escritório do cliente. E é cada dia mais comum esse tipo de solicitação. Alguns não dispõem de tempo, outros querem fazer retratos que mostrem a sua personalidade profissional. Sessões assim envolvem mudanças de atitude, negocioação diferente e até mesmo alterações no equipamento - mais "enxuto" e apto a combinar a luz de flash com ambiente. É preciso ser ágil também na composição, pois o fundo será o cenário do local. Outro detalhe que conta muito é o domínio da iluminação, às vezes exigindo árduo esforço para eliminar reflexos e sombras. No exemplo abaixo, fui chamado para fotografar em uma clínica odontológica, composta por cinco dentistas que desejavam uma foto do seu fundador. Quando cheguei, fui informado de que parte das instalações deveria ser inclusa na imagem. Por sorte, o prédio era novo e seu design, prórpio para odontologia, o que ajudou no contexto.
Como fiz as fotos - Levei um gerador 604 da Mako, com duas cabeças de flash e dois soft-box: um de 60 x 80 cm, outro de 30 x 40 cm. A sala escolhida, de mais ou menos 2 x 3 metros e totalmente branca, me obrigou a mudar o esquema de iluminação. Decidi usar uma fonte de luz apontada para o canto da parede, à direita da câmara, como enchimento. Regulei a potência no diafragma f. 4 ½, para clarear sombras e mostrar os detalhes. Como luz principal, optei pelo soft-box de 30 x 40 cm, à esquerda da câmera e bem próximo ao assunto. Produziria sombras leves e por isso mais agradáveis. Na segunda foto modifiquei a pose. Pedi para o cliente sentar em cima da escrivaninha, de costas para a luz principal e rosto voltado para a câmera. Precisei subir a luz principal para dar direção levemente de cima para baixo. Tirei uma série de fotografias, em todas dando algo para o cliente ocupar as mãos e, assim, ficar mais natural. Detalhe: como usava objetiva 85 mm, tive de me posicionar numa sala ao lado e fotografar com a porta aberta. Poderia ter recorrido a uma grande angular, o que criaria imagem de até mais impacto, mas preferi evitar deformações. O filme usado foi o Pro Value da Fuji, regulado no seu ISO 200 original. Achei-o ótimo para fotos com flash.

Créditos: Revista Fhox
Paulo Reichert é Professor da Oficina de Photographia, em Novo Hamburgo, RS.