Captura e Impressão da Imagem Digital
Aos poucos vamos nos acostumando com uma nova terminologia entrando nos papos e na literatura sobre fotografia. É a presença de uma maior cultura digital em todo o processo e de forma irreversível
A terminologia usada na fotografia começa a se adaptar à nova cultura digital. É o "fotografês" acrescido do "digitalês". Agora usa-se a expressão capturar a imagem para se referir ao registro da mesma. Faz sentido, pois "capturar a imagem" tem um significado bastante amplo. Pode ser pela via ótica para gravá-la em um filme químico ou sensibilizar um CCD, aramazenando-a em algum tipo de memória eletrônica. Neste artigo gostaria de discutir as diferenças não tão óbvias assim - entre a captura digital e a convencional. Diferenças que começam pelas medidas de sensibilidade à luz. Nos filmes químicos usamos a unidade ISO para fazer esta graduação (100, 200 ou 400). Já nos CCD's das câmeras digitais, também existe uma sensibilidade com equivalência em ISO, variando de 100 até 3.200. No digital, a imagem da foto é construída por pontos chamados "pixels". Quanto menor o seu tamanho e maior a quantidade deles, melhor será a resolução de gravação, porém, sem a relação direta entre a sensibilidade e o tamanho do grão, como ocorre na foto comum.
Nitidez da Impressão - A unidade DPI (do inglês "dots per inch", que significa pontos por polegada) serve para medir a qualidade da impressão digital. Acompanhe o exemplo de uma foto 10,2 x 15,2 cm em preto-e-branco feita numa impressora digitaç com resolução 300 x 300 DPIs, considerada aceitável para os padrões atuais. Como uma polegada é igual a 2,54 centímetros, ao converter a foto (10,2 x 15,2 cm) para a medida norte-americana teremos 4 x 6 polegadas (vem daí o nome 4R para as fotos 10 x 15). Agora basta uma continha de multiplicação: 4 x 300 x 6 x 300 = 2.160.000 pontos. Portanto, na captura da imagem, a câmera precisará ter uma resolução de 2.1 megapixels (2,16 milhões de pontos) para gerar uma cópia de 300 DPIs no tamanho 10 x 15 cm. Esse cálculo não considera o recurso da interpolação de pontos na melhoria da definição de uma imagem.

Diferentes tipos de "Pixels" - Outra característica a ser entendida é a "profundidade" do ponto. Trazendo novamente para a foto P&B, essa profundidade traduz a quantidade de tons de cinza possíveis entre o branco e o preto. É determinada pelo número de "bits" que compõem o "pixel". Um "bit" é a menor unidade de memória de um computador e assume somente dois valores: "zero" ou "um". Isso significa que se um "pixel" for composto somente por um "bit", ele não terá nenhum tom de cinza. Será preto ou branco (veja a figura). Já uma imagem formada por pixels de 2 bits pode ter 4 (2²) tons: o preto, o branco e mais dois tons de cinza intermediários. Seguindo o mesmo raciocínio, 3 bits resultarão em 8 (2³) tons: o preto, o branco e mais seis tons de cinza. A imagem da figura foi feita usando-se pixels de 8 bits, o que permitiu 256 tons de cinza. Esse agrupamento de 8 bits é chamado de byte, uma unidade padrão de memória de computador. No caso de imagens coloridas, tudo se multiplica por 3, pois o pixel terá de ser sensível às cores primárias RGB (vermelho, verde e azul). Assim, um arquivo em P&B de 2,1 Mb, em cores, passaria a ter 6,3 Mb, o que exige muita memória.
Créditos: Revista Fhox
Flávio Takeda é Especialista em Minilabs da Fujifilm do Brasil