Contabilidade: o grande revelador do seu negócio
Aproveite todas as ferramentas que essa ciência pode oferecer. A vida saudável de sua empresa vai agradecer os bons resultados.
Aquele profissional que só apura impostos está desaparecendo do mercado, seja ele contabilista
(técnico em contabilidade) ou contador (que tem bacharelado). A cada dia ele está assumindo o papel
de controller. Isso porque a contabilidade é um instrumento fundamental de informação e gestão da empresa.
E essa função ficou ainda mais evidente depois do Plano Real que permitiu a estabilidade da moeda. No período
inflacionário, por mais que os relatórios contábeis fossem precisos, era impossível planejar e controlar no
médio e longo prazos.
Desde um simples acompanhamento do orçamento, distribuição do lucro entre os sócios, até análises de capital de giro, formação de preço, custo, planejamento de tributos, lucratividade, tudo passa pelo filtro da contabilidade. "O lojista que desconhece sua importância não está vendo sua firma", comenta Victor Domingos Galloro, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo. Em mais de 30 anos de profissão, ele conta que é comum empresas crescerem e depois quebrarem. Diagnóstico: falta de controle e planejamento.
Um item importante é o regime de tributação da empresa. No universo das pequenas e microempresas, o mais usado tem sido o Simples. "Mas o mais adequado é a tributação com base no lucro real mensal. O Simples só é vantajoso se a empresa tiver muitos empregados", orienta o presidente. O mesmo acontece com aquelas empresas que optam pela tributação conforme o lucro presumido. "A vantagem existe quando a empresa tem um lucro muito grande, acima de 32% da receita", completa. Por isso o planejamento tributário é outro instrumento de grande ajuda na gestão. O lojista pode estar pagando mais tributos sem necessidade.
Outra dica é na formação de preço. Imagine a concorrência vendendo fotos para documentos, tiradas em cabines, a 5 reais e haja fotógrafo tirando 3x4, no modo convencional, a 10 reais. O que ele tem de fazer?
"Deve acompanhar o preço de mercado. Ou seja, baixar o preço de suas fotos. Para isso vai ter de rever seus custos e tomar decisões", aconselha Galloro. Entre as decisões estão corte de custos, compra de uma cabine (investimento) ou, ainda, criar um diferencial para suas fotos. "Dessa forma, ele poderá vendê-las até por um preço mais alto."
Diário do Contador - O contador Nelson Feltran Jr., em São Paulo, observa que o lojista geralmente não está preocupado com a contabilidade do seu negócio. "Ele está preocupado com as vendas, com a produção. Tudo ele manda para o contador."
Há também aquele lojista "descuidado" com o preenchimento de notas fiscais. "Ele vende a mercadoria que estava em estoque e não põe a data e depois diz: "Ah!, põe a data que você acha melhor." Isso gera um resultado contábil não confiável que vai refletir na situação tributária. Outro exemplo é a falta de interesse dos lojistas em ler as informações. "A gente emite o balancete mensal e o lojista nem lê." Feltran acha que quem não trabalhar direito vai quebrar. "O governo está informatizado e preparado para fiscalizar."
Outro problema é a confusão entre as despesas da empresa e às do dono. "Recebo até nota fiscal de cabeleireiro", diz Paulo Ribeiro dos Santos, em Sorocaba (SP). Em sua opinião, o melhor lojista é aquele que pergunta tudo, como Teófilo Duarte, da Fotocolor Lima Duarte, que conta: "Todo mês a gente se reúne. Ele é meu consultor. Tenho confiança em seu trabalho."
Conselhos do presidente
Victor Domingos Gallloro, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, dá algumas dicas para os lojistas. São elas:
◊ Faça um contrato de prestação de serviços. Por esse instrumento ficam formalizados os compromissos de ambas as partes, lojista e contabilista ou contador;
◊ Informe-se sobre os serviços do profissional que pretende contratar. Peça a ele referências de outros clientes lojistas;
◊ Solicite balancetes mensais e outros relatórios econômico-financeiros; e
◊ Dê preferência a um contabilista ou contador que conheça o ramo fotográfico ou que tenha facilidade de absorver rapidamente as principais características e perspectivas desse mercado.
Créditos: Revista Fhox
Hélia Regina Sinibaldi