O estúdio do novo milênio
Apesar de haver resistências entre os fotógrafos, imagino que os flashes de estúdio vão operar como se fossem microsystems eletrônicos
A primeira pergunta de quem quer montar um estúdio é: "Quanto custa um flash?". Natural. Mas preço de flash depende da potência de luz e qualidade do equipamento. Há opções, embora o que sustente os fabricantes brasileiros sejam os pequenos conjuntos compactos. São compostos por um par de flashes com sombrinhas e tripés e mais uma tocha para luz de fundo. É uma configuração básica de iluminação para estúdio, capaz de atender a maioria das variações da fotografia de retratos, ainda o principal usuário deste tipo de equipamento. Aí vem a segunda pergunta: "Quantos watts tem esse flash?" Os iniciantes, em especial, têm o hábito de associar a potência em unidades watts ao efeito de luminosidade produzido pelo mesmo. Completam a questão com: "Qual é a abertura do diafragma para a distância de um metro, fotografando com filme ISO 100?". Essas perguntas embutem um lado técnico bem mais complexo do que se imagina, mas seria interessante se tivéssemos neste novo milênio flashes que funcionassem seguindo receitas de bolo prontas.
Aceitar evoluções - Além de incorporarem mais tecnologia aos equipamentos, a verdade é que os fabricantes de flashes terão de enfrentar outro desafio nesta nova década - o de superar certos vícios dos fotógrafos, adquiridos ao longo do tempo. A vida útil dos flashes, por exemplo. É difícil para eles aceitarem que, a partir de certos anos de uso, as lâmpadas dos flashes modificam suas propriedades e começam a aborrecer pela instabilidade que produzem. Fotógrafos resistem ao máximo em renova-los e acabam gastando mais dinheiro em consertos, do que se simplesmente os trocassem por novos. Também demoram para assimilar qualquer inovação ou conforto tecnológico, como flashes com recursos digitais ou modelos de carga rápida com relâmpagos de grande potência. Como também ocorre uma rápida evolução nos materiais fotográficos, se não houver uma reciclagem no equipamento do estúdio, logo, logo, os fotógrafos vão ter dificuldades em obter os benefícios que oferecem. Já existe a algum tempo flashes com controles totalmente digitalizados, fabricados na Europa. Funcionam como se fossem um "microsystem", oferecendo a precisão de dividir a intensidade de lua em frações de 1/10 de "f stop", além de controles à base simples toque de botões. Por enquanto, somente um grupo pequeno de estúdios nos Estados Unidos, Europa e, inclusive no Brasil, utilizam-se dessa modernidade. Mas acho que pode ser o futuro nos estúdios, principalmente, quando seus preços caírem.
Créditos: Revista Fhox
Hidehiko Komatsu é especialista em fotografia profissional