Imposto: pagar ou sonegar



No mercado fotográfico, grandes e pequenos, querem fazer tudo direitinho, mas um enlouquecido sistema tributário, às vezes, não deixa

ICMS, Cofins, CPMF, IOF, INSS, PIS, IPI, IR, ISS, IPTU. Ufa! Com tanta sigla, fica difícil saber quantos impostos uma empresa é obrigada a pagar no Brasil. No mercado fotográfico também é assim, da pequena à grande empresa, a maioria paga ou, pelo menos, tenta cumprir com suas obrigações tributárias, mesmo sofrendo a concorrência de um pequeno grupo que usa a sonegação como diferencial. Mas todos protestam: o número de impostos a pagar no Brasil é muito grande, confuso e a burocracia dificulta a vida de quem quer fazer direitinho. Peca-se mais pelo desconhecimento do que pela má-fé. Em contrapartida, todos também são unânimes: o governo não devolve em benefícios a sociedade na mesma proporção que recolhe. Há quem levante a bandeira do imposto único como forma de simplificar rotinas tão insanas e fazem coro aos pedidos de "reformas Tributária e Fiscal já". Porém, o caminho da legalidade segue sendo o preferido. Afinal, o Fisco pode levar anos, mas um dia bate à porta e cobra a parte dele. Para que arriscar?

Nós contestamos

"Temos um departamento de contabilidade exclusivo para cuidar dos impostos. Só trabalhamos com nota fiscal e somos bem tranqüilos nesse assunto. Mesmo porque recolhemos tudo como manda a lei. Quando não concordamos com a fiscalização, a nossa arma no lugar da sonegação é a contestação. Contestamos na Justiça as multas, recorremos mesmo. Já entramos com duas liminares e ganhamos. Preferimos o caminho da legalidade. Fizeram uma fiscalização na empresa que levou mais de um ano e, só de papelada, saiu uma Kombi. Não acharam nada, estávamos completamente em ordem. Mas errar não é difícil. No Brasil, as leis mudam tanto que cometer algum engano é fácil. Não é má fé. O País precisa, antes de mais nada, de uma boa reforma tributária para melhorar seu desempenho. O imposto único, a exemplo do que acontece em outros países, seria o ideal. Senão, teremos que continuar matando um leão por dia. E olha que não é o leão do IR"
Marcello de Flório, diretor comercial da Labortec, atacado e varejo de S. Paulo (SP)

Sempre tem um erro

"Procuro atender à fiscalização colocando, através de meu contador, toda a documentação à disposição. Mas hoje em dia, está ficando cada vez mais difícil para o comerciante trabalhar. As margens de lucros estão espremidas e o governo todo mês cria um novo imposto. A CPMF está aí para provar o que digo. Quanto mais impostos criam, mais a gente fica sujeito a cometer enganos, esquecimentos. Também acho que para o próprio governo é difícil controlar tanto recolhimento. Há 10 anos se vem discutindo a reforma tributária, e ela nunca acontece. A minha loja é pequena e, portanto, mais fácil controlar. A gente prefere recolher, tudo certinho, como manda o figurino. Não tenho nada a esconder, mas não adianta, quando o fiscal entra na loja, a gente fica receoso. Por mais correto que se esteja, eles sempre acabam achando alguma irregularidade. Não sou contra o pagamento de impostos, desde que o governo também nos dê algo em troca, o que não é o caso. Ele só tira"
Otávio Yoshiga, dono da Angel Imagem e Som, uma única loja, em S. Paulo (SP)

Não volta em benefícios

"No Rio de Janeiro, assim como na Bahia e em Minas Gerais, foi criado um imposto de Substituição Tributária. Quando a inflação chegava a 60%, eles calcularam em cima de um lucro estimado em 42%. O tributo, de 13,2% é recolhido direto na fonte. Hoje, com a inflação em torno de 10%, os lucros não chegam mais naqueles patamares. Nós não queremos a extinção deste imposto, mas a sua redução. O custo em nosso Estado é maior do que nos outros. Fora todas as tributações normais que temos que recolher, aqui ainda existe mais este adicional. Este imposto não incide em cima de 100% das mercadorias, mas em grande parte delas, como por exemplo, máquinas fotográficas. Em São Paulo este imposto existia, mas o governo extinguiu. Gostaríamos que no Rio de Janeiro acontecesse o mesmo. A carga tributária no Brasil é a pior do mundo e a gente sabe que a sua arrecadação não volta para a população em forma de benefícios, o verdadeiro propósito dos impostos"
Pedro Collado, sócio da rede Rio Color, com 10 lojas no Rio de Janeiro

Créditos: Revista Fhox