Encarando o sol brilhante
Converter a luz de sol aberto e forte em iluminação suave dos dias nublados, a ideal para retrato, é trabalhoso, mas não impossível
A técnica que mais aprecio para fotos externas em dias extremamente claros é a que mostro aqui. Devido à luz muito dura que estes dias produzem, ou fotógrafos numa sombra, ou usamos uma tela difusora para suavizar a iluminação. Ainda assim, isso pode ser pouco, o que me leva a adicionar um flash de enchimento. Meu desafio neste caso é tentar construir a luz de um dia nublado debaixo de um sol brilhante. E consegue-se. Veja como:
O diagnóstico – Na foto menos, nota-se que o local onde fotografei era aberto, tinha sol forte e reproduzia sombras fortes e bem-definidas. Montei então uma tela difusora grande (2x2m) e a coloquei entre a modelo e o sol. Consegui uma sombra suave, reduzindo os contornos duros. Pedi a modelo que ficasse numa posição de contraluz. Por quê? Para tirar o seu rosto da área de sol brilhante. Então instalei dois flashes MetzCL1 rebatendo em uma sombrinha prateada. Medi a luz ambiente, a fim de determinar a potência dos flashes. Feitos todos os cálculos, obtive uma relação de luz de 3:1, ótima para retratos. Aqui, um detalhe importante: quando se fotografa com luz do dia e flash, deve-se ter em mente que haverá uma somatória de luzes,portanto, cuidado para que não seja em demasia.
A produção – Para esta cena, optei por uma teleobjetiva de 200mm na minha câmara Nikon FM2. Utilizando filme Kodak GPX 160, usei uma combinação de abertura com obturador de f.5.6. a 1/125 segundos e fiz diversas tomadas variando as poses. Como grande abertura (f.5.6) e mais uma teleobjetiva desfocam dramaticamente o fundo, notem como consegui um ótimo efeito de foco seletivo, destacando o modelo na área da fotografia. Poderíamos ter optado por uma abertura f.4, por exemplo, que borraria mais ainda o fundo, mas não fiz para evitar comprometer a definição da imagem. Como regra, a segunda abertura acima da máxima de uma objetiva (no meu caso uma Manikon f.3.5-200mm) sempre apresenta melhor rendimento ótico e bem menos distorções. Assim, só em caso de distorções. Assim, só em caso de absoluta necessidade é que fotografo com uma lente aberta no máximo. Para completar, havia o detalhe de como disparar os flashes na distância em que me encontrava deles. Nenhum problema. Adaptei um disparador operado por rádio controle, de freqüência modulada (FM). Apesar de trabalhosa, o resultado da foto me agradou.

Créditos: Revista Fhox
Paulo Reichert é Professor da Oficina de Photographia, de N. Hamburgo, RS.