Essas câmaras grandes
Profissional é quem usa médio formado. Não é bem assim. Elas são desconfortáveis nas reportagens, mas de qualidade superior aos 135
Eu uso Hassel, eu tenho Mamiya, a minha é melhor: é Bronica. Esses nomes parecem incompreensíveis para fotógrafos acostumados às mascar Nikon, Pentax, ou Yashica, como ferramenta de trabalho profissional. Na verdade, são nomes respeitados de câmaras fotográficas médio formato, que utilizam filme 120, já difíceis de achar nas lojas de minilabs. Mas fáceis nas lojas de fotógrafos profissionais, geralmente identificadas com o logo ProCenter (kodak), ou Fuji Profissional (Fuji) ou aquela conhecida por ter de tudo. Quem usa esse tipo de câmara? Com certeza nunca amadores. Elas foram projetadas para chamada fotográfica profissional pesada, geralmente produzida em estúdio e em cima de um tripé. Embora haja uma minoria de fotógrafos de casamentos que também as use como forma de se diferenciar em qualidade – bastante ao superior ao do 135 – a maioria das aplicações dos modelos de médio formato está na publicidade e na área científica. O que elas têm de melhor que as 135? Primeiro, a qualidade de imagem em função da área maior do filme e de uma ótica mais avançada. Segundo, recursos de correção, alguns impossíveis na fotografia com 135. Por outro lado são conjuntos caros – chegam a custar R$ 10 mil – e que exigem experiência nas técnicas fotográficas para sua operação. Veja dois exemplos do que podem fazer, a partir de um modelo da família ArcBody, da Hasselblad, com movimento de fole.

Para corrigir e controlar perspectiva
1. O controle de perspectiva é útil em fotos de prédios altos, por exemplo. Numa câmara comum, no chão e apontada para cima, as linhas verticais convergem para um ponto e não são paralelas. Ao lado, nota-se como o movimento do corpo no fole atenua a convergência e nivela a imagem num quadro mais agradável.
2. Aqui, o corpo da câmara está alinhado à lente, sem deslocamento. Há um excesso de área de calçada e as linhas verticais insinuam uma convergência.
3. Nesta, abaixando o corpo em relação à lente, o quadro ficou equilibrado e as linhas verticais mais paralelas. Isso foi feito sem mexer a câmara do lugar

Para controlar planos e profundidade de foco
1. Em fotos a curta distância, a aérea de foco e sempre muito curta. Movimentando o corpo em ângulo em relação à lente, aumenta-se ou se reduz a área que sairá focalizada, com extrema facilidade. Detalhe: sem precisar fechar a abertura do diafragma.
2. Toda área está no foco, algo difícil numa câmara 135. O corpo foi deslocado num ângulo de 15°, de baixo para cima. Fig. 3
3. Aqui, só o primeiro plano está em foco. Deslocou-se o fole e o corpo, sem precisar fechar o diafragma e alongar a exposição.
Créditos: Revista Fhox