Closes suaves e delicados



Continuando a viagem pelos retratos com luz externa difusa, veja a delicadeza e suavidade e suavidade que produz em cenas de rosto

Geralmente um book esterno pede alguma fotografia de rosto. Isso implica uma visão bem de perto do modelo para mostrar todos os detalhes da sua face. Se estivermos fotografando em um dia de céu aberto, o problema vai ser como evitar a luz dura do sol. Esta luz produz fisionomias pouco fotogênicas e destaca desenhos nem sempre agradáveis. Como já abordei em artigo anterior, ou deslocamos nosso assunto para sombra, ou produzimos essa sombra de maneira artificial com o uso de uma tela difusa. Nesta edição da FHOX quero abordar uma variação da mesma técnica, bastante útil para aqueles que não gostam de usar o flash como luz de enchimento nas externas.

Montagem do cenário – No mesmo local da produção mostrada na FHOX anterior, pedi para que a modelo sentasse de costas para o sol a uma distância de 1,50m da tela difusora. A tela foi presa junto à grade da cerca. O sol filtrado através dela produziu uma iluminação difusa, ótima para retrato de rosto. O lado da frente da modelo, direcionado para a sombra, ficou muito escuro criando um contraste em excesso e desagradável. Para diminuir estas sombras, usei um rebatedor metalizado prata/ouro (50% de estrias douradas e 50% de estrias prateadas). Ele produz um tom amarelado, típico das fotografias tiradas ao entardecer (o horário da nossa foto foi 17:30h). No lado oposto e num ângulo de 45°, coloquei um espelho flexível, para criar um efeito de contraluz com objetivo de separar o assunto do fundo. Com tudo arrumado no seu devido lugar, fiz as medidas de luz usando um fotômetro de mão. Regulei para o ISO 160 do filme Kodak GPX que estava usando e, na posição da modelo, apontei para a tela difusora medindo a luz de enchimento: deu f.5.6 a 1/125 segundos. Em seguida medi a luz vinda do rebatedor – funcionando como principal -, e fui me aproximando até obter f.8.0 a 1/125 segundos, ou seja, um ponto de diafragma a mais que o enchimento. E por ultimo, medi a contra luz vinda do espelho, que foi flexionado para diminuir a intensidade, até conseguir uma leitura de f.11 à 1/125 segundos. Esta contraluz pode variar de acordo com o desejo do fotógrafo e de acordo com a cor do cabelo da modelo. Normalmente se conseguem ótimas fotos quando usamos a partir de ¹/2 até 2 diafragmas a mais que a luz principal. Na foto do box abaixo, utilizei conta luz com 1 diafragma de diferença e gostei do que saiu.

Não economizei filme – Cenários pronto e acessórios perfeitamente calibrados, montei minha Nikon FM2 no tripé, com uma objetiva 200mm regular para f.5.6 a 1/125 segundo. Devido à curta distância do modelo, quase um close, o fundo ficou totalmente desfocado, destacando seu rosto. A composição como um todo me agradou e ainda não economizei filme. Aproveitei para fazer varias exposições (uma das quais se vê ao lado). É importante ressaltar que quando se fotografa com o assunto de costas para o sol, o fundo fica inevitavelmente mais escuro, o qual nas medidas do fotômetro, pode representar três ou até quatro diafragmas abaixo em relação à leitura tirada no nosso rosto. Isso provoca um efeito que valoriza a conta luz e aumenta e aumenta do destaque sobre o assunto. O que impressiona nos retratos externos e a quantidade de nuances possíveis com este tipo de iluminação. Parece tecnicamente mais simples que os flashes de estúdio, mas na pratica descobrem-se detalhes bem mais refinados.





Créditos: Revista Fhox
Paulo Reichert é Professor da Oficina de Photographia, de N. Hamburgo, RS.