Encalhe, dá para se livrar deles?
Tudo bem, não da para pedir sinal. Mas não brinque com o índice de encalhe na loja. Na hora do aperto, todo o lucro pode estar lá... parado no gaveteiro, esperando que alguém venha convertê-lo em dinheiro
Todo mês eles comem um pedacinho do nosso lucro da loja. A cada três meses abrigam a uma olhada para
ver que o espaço anda ocupando no gaveteiro de envelopes. É fácil identificá-los: então quase sempre
reunimos num mesmo bolo e insinuam uma aparência desbotada. Eles são os encalhes, aqueles filmes que
o consumidor deixa para revelar e não volta mais buscar. Eles são amaldiçoados por lojistas que dependem
de laboratórios de terceiros e pagam um mico. Pior ainda quando são de 36 poses, fotografados com uma
câmara 135 meio-quadro (vira 72 poses) ou APS de 40 poses no formato panorama. Os encalhes são uma dor
de cabeça nos serviços de revelação de fotografia, baseados num acordo de compromisso: o cliente deixa
o filme e só paga quando estiver pronto – ou disposto a buscá-lo. O perigo é quando o índice atinge
percentagens de dois dígitos. Há casos também de fotógrafos profissionais atuarem em eventos, por sua
conta em risco, sacarem milhares de fotos que não têm a certeza de venda, e depois querem dividir a
aposta com o minilab. Grandes tombos já foram dados assim. O que fazer os encalhes? Como diminuir sua
incidência? Cobrar sinal resolve o problema? Mas como cobrar o sinal se nenhum concorrente faz? A reportagem
da FHOX pesquisou em 300 lojas, de portes distintos e em cinco estados brasileiros, como os lojistas lidam
com o velho problema dos encalhes.
Shoppings têm menos – Embora existam quase 5 mil lojas de fotografia oferecendo serviço em 1 Hora, sabe-se que os clientes que retiram o filme nesse prazo não chegam a 20%. Mas depende da localização, e isso também se reflete no encalhe. Segundo a pesquisa da FHOX, as lojas de shopping têm o índice mais baixo, na média 2% envelopes encalhados, o que se justifica pelo comportamento nesses templos de consumos. Eles deixam o filme para revelar, vão passear e na volta, passam para retirar as fotos. No Rio de Janeiro, entretanto, é onde se encontra índices disparados, com lojas apresentando desde 5,25 e até 40% de encalhe de um mês para outro, esta ultima num bairro popular e tendo que adotar medidas drásticas para diminuir a incidência (para garantir a autenticidade da informação, omitiram-se os nomes das lojas pesquisadas). Voltou a instituir um sinal de 40% do valor de serviço. Segundo o lojista, o movimento não caiu e nem cresceu, mas em compensação os encalhes despencaram para 5%. Já se tentaram varias fórmulas de reduzir os encalhes, além do próprio sinal, que funciona quando o cliente não tem outra opção por perto. Com os preços atuais de revelação, soa mal cobrar adiantado R$ 5,00 para garantir a retirada do envelope. Causa a sensação de loja “fominha” ou que esta prestes a fechar. Uma invenção dos americanos no passado tentou solucionar a questão, mas também funcionou. Chamava-se filme com revelação pré-paga. O problema foi quem decidia utilizar o filme anos depois e queria fazer valer o direito adquirido. Além das mutações tecnologias e casos de falsificações, houve lojas que já existiam mais quando o filme chegava para revelar.
O que fazer com encalhes – De acordo com a pesquisa da FHOX, as maiorias dos lojistas mantêm um método de cobrança. O mais comum é colocar o balconista ao telefone e fazer um telemarketing ativo, lembrando que o filme está à disposição e será um prazer rever o cliente. Só isso já limpa a metade a metade dos encalhes. Após 90 dias, há quem informe polidamente que o envelope será incinerado (alguns especificam esta condição nos canhotos dos serviços). Limpam por uma por uma boa parte, mas sempre sobra um pouquinho. Na prática, quase todos guardam esses filmes por um ou dois anos. Há que nunca tenha jogado fora, mantendo um arquivo de até 11 anos. Já houve casos do cliente ir buscar, após ter deixado o filme por 5 anos. Entre os consultados, ninguém negocia ou recicla esses filmes. Jogam no lixo,picotam ou queimam. Entretanto, sabe-se de moldes de algumas empresas de cobrança, que compram créditos perdidos e tentam recebê-los com lucro. Os métodos nem sempre são recomendáveis e não têm consistência legal. Não funcionou.

Créditos: Revista Fhox
Marcia Tscherikas, colaborou Carlos Dreher