Luz difusa, muito especial
Fico impressionado com as variações e o sabor estético especial que produzem as fotos externas feitas com luz difusa. Não é complicado
Dizem os grandes fotógrafos americanos que o melhor estúdio do mundo é iluminação pela luz do sol – desde que num dia nublado sem uma única sombra. O problema é saber quando acontecem dias assim e conciliá-las com agenda de prazos de entrega. Mas não se desespere, há saída para isso. Sombra forte no rosto testa franzida e olhos fechados, efeitos típicos da luz direta do sol sobre o modelo podem ser atenuados através de técnicas de difusão, utilizada tanto por fotógrafos, quanto produtores de vídeo, cinema e televisão. Ela nos permite escolher o local em função do cenário, sua beleza e possibilidades de composição que oferece e ainda assim obter iluminação requintada, mesmo estando em um dia superensolarado. É um pouco trabalhoso e chama a atenção dos curiosos por parecer uma equipe de produção de novela, mas dos resultados. Vamos ver como funciona.
Prioridade pelo cenário – N o exemplo desta coluna, escolhi as quadras de tênis de um dos clubes da cidade onde moro Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, pertinho de Porto Alegre. Em primeiro lugar, eu queria a cidade ao fundo. O local é uma área ampla onde o espaço me permitia boa liberdade de movimento. Montei uma armação de PVC de 2x2 metros e sobre ela prendi um tecido difusor (tactel ou nylon). Este tecido tem a finalidade de suavizar a luz do sol. Um assistente me ajudou a manter esta tela no lugar. Afastei a mesma uns dois metros, o suficiente para que sua sombra cobrisse inteiramente o assunto. Posicionei a modelo, digiri a pose e fiz uma leitura de luz sobre ela, mas aprontando o fotômetro para a tela difusora. O resultado foi f.5.6 de abertura a 1/125 de velocidade. No lado direito da modelo utilizei um rebatedor de prateado, posicionado de tal maneira que me deu uma leitura de f.8 de abertura a 1/125 de velocidade. Encontrei minha luz de contorno. A leitura de fundo (cidade) foi de f.11 a 1/125 de velocidade. Pronto, a relação de luzes estava satisfatória para a composição que pretendia. Agora era trabalhar com a câmara.
Destacar o modelo – Desde o início tinha a intenção de fazer um foco seletivo dramático, deixando claro que havia uma cidade ao fundo, mas todo o destaque concentrado na modelo. Coloquei a câmara no tripé, e encaixei uma lente objetiva de 200mm. Recuei até preencher agradavelmente o quadro da foto. Regulei propositalmente o diafragma para a luz da sombra, ou seja, f.5.6 a 1/125 de velocidade. Por que fiz isso? Porque essa combinação daria uma exposição correta sobre a garota e queimaria um pouco o fundo. Era o que queria principalmente por fazer questão do diafragma aberto (f.5.6) que, com essa lente (200mm) a distância da modelo, produziria fundo dramaticamente desfocado. Bingo! O resultado foi uma foto valorizando o assunto principal, cercada por um fundo interessante. Note como ela está iluminada com uma suavidade surpreendente, sem um único indício de sombra, mesmo num dia ensolarado como aquele. São os milagres proporcionados pela técnica da difusão. Importante: se no lugar do rebatedor prateado eu tivesse usado um espelho com luz de contorno, certamente obteria nas áreas iluminadas pelo mesmo. Isso iria realçar os detalhes do fundo, o que também renderia um bom resultado estético. Nesse caso, a dica é se afastar mais ainda do modelo e tomar cuidado para que a leitura desta luz não ultrapasse o f.11 a 1/125 de velocidade. Quem quiser seguir a receita aqui apresentada, vale a pena fazer tomadas nas duas situações. Mãos à obra você fotos assim em qualquer cidade do Brasil.

Créditos: Revista Fhox
Paulo Reichert é professor da Oficina de Photografia, em Novo Hamburgo, RS