Externas em dia nublado
Ameaça de chuva, platéia dando palpite e outras interferências, são fatores adicionais a serem controlados nas fotos externas
O cenário escolhido para esta foto foi o canteiro central de uma avenida no centro da cidade, onde além do jardim, queria um fundo combinando com o tipo de traje vestido pela modelo. Além disso, por se tratar de uma área muito ampla, a iluminação precisa ser aberta, com poucas sombras. No dia marcado para realizar a foto, uma bela surpresa. O tempo estava totalmente fechado, sinalizando chuva iminente. No entanto, estava tudo acertado coma modelo e o pessoal da produção. Não dava para adiar e teríamos que fazer o trabalho. E bem feito. Ao olhar no visor, notei que o assunto principal estava sem relevo muito destaque pelo excesso de iluminação. Além disso, percebi que não havia uma separação adequada nos diversos planos da foto. Era preciso mais luz sobre o assunto. Decidi então acrescentar mais luz sobre a modelo para aumentar o contraste e assim conseguir o relevo desejado.
Flash com luz ambiente – Optei por usar o flash portátil Metz 45CL 1 montando refletindo com uma sombrinha. O uso da sombrinha produz uma iluminação mais suave, sem muitos brilhos. Para estabelecer a potência a ser usada no flash e a respectiva abertura do diafragma da câmara, fiz a leitura da luz ambiente. Usando um fotômetro de mão, regulei o ISO do filme, um GPX 160 da Kodak, e obtive abertura de f 4 ¹/2 com 1/125 segundo de velocidade do obturador. Baseado nesta informação, achei melhor aumentar a potência do flash em um ponto para intensificar o contraste sobre a modelo. Atenção: nas leituras de luz externas combinadas com o emprego do flash, deve-se considerar que as duas iluminações se somam. Por isso, para que a fotometria indique ajustes corretos, ambas as leituras – flash e ambiente – devem ser feitas na velocidade de obturador para sincronismo do flash, caso contrário a iluminação de enchimento pode não surtir efeito.
Perda de privacidade - Montei uma lente 200mm numa câmara Nikon FM2 e acoplei um rádio para disparar o flash à distância. Coloquei tudo num tripé para garantir boa estabilidade. Fiz as regulagens e velocidade já sabendo que o assunto principal receberia mais destaque, o fundo ficaria ligeiramente escuro e, por estar usando uma grande abertura, desfocaria o cenário atrás da modelo, valorizando assim a sua figura.
A luz principal, neste caso o flash Metz 45CL 1, ficou montado numa plataforma e refletido contra a sombrinha. Nele instalei o receptor do “radiocélula”. Todo o conjunto foi posicionado a 45° em relação ao assunto, criado uma dirigida de cima para baixo, como se fosse o sol. Por ser móvel, a minha assistente teve toda facilidade para controlar o ângulo de iluminação e a distância adequada até atingir o resultado.
Um complicador nessas sessões de fotos externas é ficar dependendo de fatores que se controlam no estúdio, como condição meteorológica e privacidade. A foto do box, por exemplo, foi realizada em plena avenida, com o movimento dos carros toda hora cortando a visão entre a câmara e o assunto, além da chuva que teimava em dar os seu pingos nos momentos em que era absolutamente indesejada. O pior, entretanto, foi enfrentar uma platéia de curiosos aglomerando-se no local e insistindo em dar seus palpites. Mesmo para fotógrafos e modelos experientes, não há como negar que essas condições inibem expressões e poses, tiram a serenidade de quem esta fotografando. Mas por outro lado às vezes o esforço compensa pela qualidade e beleza da luz,difícil de ser obtida no estúdio.

Créditos: Revista Fhox
Paulo Reichert é Professor da Oficina de Photographia, de N. Hamburgo, RS.