Laminação - Durabilidade para álbuns laminados





A laminação protege e dá longevidade, mas requer certos cuidados

Fhox submeteu duas fotos, uma com laminação fosca outra sem (brilhante), ao teste do envelhecimento acelerado no Laboratório de Materiais e Ensaios do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Taubaté. A imagem fornecida é da fotógrafa Lan Rodrigues que retratou sua avó segurando o retrato da mãe, três gerações numa única foto. A laminação, à base de poliéster, adesivo EVA e polietileno de baixa densidade, foi feita pela Hidalgo Encadernações. A macrografia dos resultados é do fotógrafo Carlos de Lemos, da Documentação Científica da USP. Neste teste o que está em jogo é "a aceleração da reação física e química entre os componentes de uma fotografia quando submetidos a altas temperaturas. Por esse método se tem uma idéia comparativa de qual material possui maior durabilidade, já que a temperatura age como um acelerador do envelhecimento. Para se determinar mais precisamente o número de anos que a foto vai resistir, o processo deve ser realizado em uma situação real de utilização do material, o que exige tempos de ensaios longos. Algumas indústrias, como a aeronáutica, tintas, construção civil, automobilística, necessitam estimar o número de anos que os seus materiais vão durar quando expostos ao sol, umidade, chuva, etc., o que exige um banco de dados de testes muito grande", comenta o Doutor Evandro Luís Nohara. Segundo Daniel Hidalgo, a foto laminada ficou ondulada porque em seu verso não havia outra colada como é no álbum.

Parecer técnico

"As fotos recebidas foram submetidas a um ensaio de envelhecimento para checar qual tipo de acabamento proporciona maior resistência em função do tempo: fosco ou brilhante. Para acelerar o processo de envelhecimento, as fotos foram colocadas no interior de uma estufa durante o período de 200 horas a uma temperatura de 70 graus Celsius, na presença de ar atmosférico. A exposição das fotos em altas temperaturas promove uma aceleração da reação química entre os pigmentos da imagem impressa, bem como a reação química entre os pigmentos e o material que constitui o filme fotográfico (substrato polimérico). Após o período de 200 horas foi observado que a foto com acabamento fosco se apresenta deformada na forma de "U", enquanto a foto com um maior índice de amarelamento em relação à foto com acabamento fosco. Os resultados obtidos permitem concluir, dentro das condições empregadas no teste, que a foto com acabamento fosco é mais suscetível à oxidação do ar atmosférico, uma vez que sofreu uma deformação irreversível, enquanto a foto com acabamento brilhante não ficou deformada, mas apresentou um amarelamento maior.

Nota: algumas produtoras de cinema optam por armazenar os negativos originais em embalagens lacradas com gás nitrogênio para evitar a exposição do negativo ao ar atmosférico, com o objetivo de reduzir a reação química do filme fotográfico com o oxigênio. Entretanto, esse procedimento não impede que os componentes químicos que constituem a pigmentação do filme reajam quimicamente entre si, ocasionando uma perda da definição da imagem fotográfica. Esse fato já foi observado em negativo armazenado por um período acima de 20-30 anos."



Créditos: Revista Fhox
Evandro Luís Nohara é Doutor em Física e Química de Materiais Aeroespaciais pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e atualmente coordena o Laboratório de Materiais e Ensaios da Universidade de Taubaté